"Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão."

— Milton Nascimento (Bola de meia, bola de gude)

Maria Elena s2

Maria Elena s2

"Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal"

— Milton Nascimento (Bola de meia, bola de gude)

Mas a sala já foi mais bonita

Lembrei agora em como pensava que nada podia ser pior que o vaso da sala vazio. A metáfora eu pego emprestada de uma amiga, que sei que ela não vai ligar. Pensava na tristeza e na melancolia que era aquele vaso - tão lindo - mas vazio, sem as flores costumeiras. Não sabia se elas tinham morrido ou só tinham ido pra outro lugar. Acho que eu afoguei as coitadas, me preocupei tanto em cuidar delas que devo ter regado em excesso. Sei que cheguei um dia e o vaso tava vazio, pensei que era o fim, se até aquele vaso podia se esvaziar, o que seria de nós, reles mortais? Até que eu me enganei, sabe? O vaso vazio não deixou de me doer, mas alguém deve ter percebido e por isso tirou ele da sala e de qualquer outro lugar que minha visão pudesse alcançar. Mas não apagaram as fotos; volta-e-meia eu acho uma dele, todo pomposo, e sinto uma falta absurda. Podiam até ter apagado as fotos, na verdade, nem assim eu ia esquecer. Não sei se o pior era ter o vaso vazio ou se é nem poder vê-lo. Só sei que dói, mas não mata. Uns dias até penso que sim, depois rio de mim mesma e vejo como sou dramática, tem jeito não. Qualquer dia acho um ainda mais bonito e ponho no lugar. Mesmo que aquele seja insubstituível, eu vou aprender a não dar bola.

Nara Menezes

"Mas por que minha cabeça tem que ser minha inimiga, pomba. Só penso pensamento que me faz sofrer. Por que esta droga de cabeça tem tanto ódio de mim? Isso nenhum analista me explicou, isso da cabeça."

— Lygia Fagundes Telles (As meninas)

"Devíamos morrer, Miguel. Em sinal de protesto devíamos todos simplesmente morrer. “Morreríamos se adiantasse”, você disse. Lembra? Eu sei, ninguém daria a mínima. Arrancaríamos o coração do peito, olha aqui meu sangue, olha aqui meu coração! Mas tem um tipo ao lado engraxando os sapatos, que cor de graxa o cavalheiro prefere?"

— Lygia Fagundes Telles (As meninas)

meu Jim s2

meu Jim s2

"Acendo um cigarro. Que me importa dormir no meio dos bêbados, das putas, o cigarro aceso no meu peito, dói sim, mas se soubesse que você está livre, dormindo na estrada ou debaixo da ponte. Mas livre. Não sei aguentar sofrimento dos outros, entende. O seu sofrimento, Miguel. O meu, aguentaria bem, sou dura. Mas se penso em você fico uma droga, quero chorar. Morrer. E estamos morrendo."

— Lygia Fagundes Telles (As meninas)

só pra lembrar :’)

só pra lembrar :’)

"- Lena, escuta, eu não estou brincando.
- E eu estou? Por que essa pressa? Suba, venha ouvir o último disco de Jimi Hendrix, faço um chá, tenho uns biscoitos maravilhosos.
- Ingleses? - pergunto - Prefiro nossos biscoitos e nossa música. Chega de colonialismo cultural.
- Mas nossa música não me comove, querida. Se os seus baianos dizem que estão desesperados, acredito, acho ótimo. Mas se vem John Lennon e diz a mesma coisa, então vibro, fico mística. Sou mística.
- Você é fresca."

— Lygia Fagundes Telles (As meninas)

"Ana Clara contou que tinha um namorado que endoidava quando ela tirava os cílios postiços, a cena do biquíni não tinha a menor importância mas assim que começava a tirar os cílios, era a glória. Os olhos nus. Em verdade vos digo que chegará o dia em que a nudez dos olhos será mais excitante do que a do sexo. Pura convenção achar o sexo obsceno."

— Lygia Fagundes Telles (As meninas)

Eu tenho uma amiga linda

Ela é linda por inteiro. De verdade, é linda por dentro e por fora. Deixa muito homem de queixo caído e provavelmente algumas mulheres também. O sorriso dela me deixa muito contente e o choro dela me dói por dentro. Minha amiga linda vai ganhar o maior presente do mundo dia 30. Ela ficou ainda mais linda carregando o filhotinho dentro de si, toda coragem pra esse mundo que gosta tanto de julgar. Eu tenho um baita orgulho de chamar ela de amiga, lindona, amor, môzão, juju. Eu digo aos quatro ventos que ela é linda e ninguém nega. Ela é bem inocente, essa minha linda. Pode até dizer que não, que já viu de muita coisa desde Pádiminas até aqui, mas quando ela não tá feliz eu tenho vontade de botar ela no colo e dar amor até passar. Eu não sei dizer quando surgiu tanto carinho, mas sei que ele tá aqui. Muito amor pra ela, que já se extendeu pro pequeno que chega jajá. Eu tenho uma amiga linda, carregando outra vida linda e eu não preciso dizer mais nada. 

Nara Menezes

"‎Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço. Uma fita dando voltas? Se enrosca, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer lugar onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual aos pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso… Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser um laço."

— Mário Quintana (via antigas-cartas)

(Source: c-a-n-a-r-i-o, via re-alejar)