— Milton Nascimento (Bola de meia, bola de gude)
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal"
— Milton Nascimento (Bola de meia, bola de gude)
Mas a sala já foi mais bonita
Lembrei agora em como pensava que nada podia ser pior que o vaso da sala vazio. A metáfora eu pego emprestada de uma amiga, que sei que ela não vai ligar. Pensava na tristeza e na melancolia que era aquele vaso - tão lindo - mas vazio, sem as flores costumeiras. Não sabia se elas tinham morrido ou só tinham ido pra outro lugar. Acho que eu afoguei as coitadas, me preocupei tanto em cuidar delas que devo ter regado em excesso. Sei que cheguei um dia e o vaso tava vazio, pensei que era o fim, se até aquele vaso podia se esvaziar, o que seria de nós, reles mortais? Até que eu me enganei, sabe? O vaso vazio não deixou de me doer, mas alguém deve ter percebido e por isso tirou ele da sala e de qualquer outro lugar que minha visão pudesse alcançar. Mas não apagaram as fotos; volta-e-meia eu acho uma dele, todo pomposo, e sinto uma falta absurda. Podiam até ter apagado as fotos, na verdade, nem assim eu ia esquecer. Não sei se o pior era ter o vaso vazio ou se é nem poder vê-lo. Só sei que dói, mas não mata. Uns dias até penso que sim, depois rio de mim mesma e vejo como sou dramática, tem jeito não. Qualquer dia acho um ainda mais bonito e ponho no lugar. Mesmo que aquele seja insubstituível, eu vou aprender a não dar bola.
Nara Menezes
— Lygia Fagundes Telles (As meninas)
— Lygia Fagundes Telles (As meninas)
meu Jim s2
— Lygia Fagundes Telles (As meninas)
- E eu estou? Por que essa pressa? Suba, venha ouvir o último disco de Jimi Hendrix, faço um chá, tenho uns biscoitos maravilhosos.
- Ingleses? - pergunto - Prefiro nossos biscoitos e nossa música. Chega de colonialismo cultural.
- Mas nossa música não me comove, querida. Se os seus baianos dizem que estão desesperados, acredito, acho ótimo. Mas se vem John Lennon e diz a mesma coisa, então vibro, fico mística. Sou mística.
- Você é fresca."
— Lygia Fagundes Telles (As meninas)
— Lygia Fagundes Telles (As meninas)
Eu tenho uma amiga linda
Ela é linda por inteiro. De verdade, é linda por dentro e por fora. Deixa muito homem de queixo caído e provavelmente algumas mulheres também. O sorriso dela me deixa muito contente e o choro dela me dói por dentro. Minha amiga linda vai ganhar o maior presente do mundo dia 30. Ela ficou ainda mais linda carregando o filhotinho dentro de si, toda coragem pra esse mundo que gosta tanto de julgar. Eu tenho um baita orgulho de chamar ela de amiga, lindona, amor, môzão, juju. Eu digo aos quatro ventos que ela é linda e ninguém nega. Ela é bem inocente, essa minha linda. Pode até dizer que não, que já viu de muita coisa desde Pádiminas até aqui, mas quando ela não tá feliz eu tenho vontade de botar ela no colo e dar amor até passar. Eu não sei dizer quando surgiu tanto carinho, mas sei que ele tá aqui. Muito amor pra ela, que já se extendeu pro pequeno que chega jajá. Eu tenho uma amiga linda, carregando outra vida linda e eu não preciso dizer mais nada.
Nara Menezes
— Mário Quintana (via antigas-cartas)
(Source: c-a-n-a-r-i-o, via re-alejar)


